A minha alma tá armada e apontada
Para cara do sossego!
Pois paz sem voz, paz sem voz
Não é paz, é medo!
Às vezes eu falo com a vida
Às vezes é ela quem diz
"Qual a paz que eu não quero conservar
Pra tentar ser feliz?"
As grades do condomínio
São pra trazer proteção
Mas também trazem a dúvida
Se é você que tá nessa prisão
O Rappa

"Arcos do Jânio" acesso à Av. 23 de Maio - São Paulo, com tapumes, tudo pronto para execução
Não lembro se já disse, então: não tenho conta no Facebook.
Acompanho notícias pelos blogs informativos que confio, e dou umas olhadinhas no Facebook de alguns amigos, quando me convidam a conversar a respeito.
Vou me inteirando do que aconteceu no planeta e na cidade nos tempos recentes, e vou confessar que isso dá um trabalho do cacete, além de colocar à prova os resultados de todos os exercícios de meditação, tai chi chuan, espiritualismo, posturas de fé na humanidade, tudo isso que em algum momento as pessoas de minha geração experimentaram ou botaram uma fé.
Noutro dia minha amada amiga, ficou numa saia justa.
Um colega com quem ela tem alguma afinidade, fez uma postagem sobre qual vegetação seria a mais apropriada para ocupar os grafittis dos "arcos do Jânio", algumas opiniões ali surgiram nesse contexto, porém ela - como diziam antigamente quando alguma criança aparecia no meio de uma conversa de adultos - estava descalça, e participou da conversa muito sinceramente dizendo que preferia os grafittis a qualquer vegetação.
Seu amigo de Facebook, na sequência fez dois comentários, o primeiro dizendo que pra tudo tem local e aqui ali grafitis não era um local apropriado. Diante de outros comentários que tentaram enxovalhar minha amiga, o dono do post interveio informando ali se tratar de uma discussão técnica e não política.
Bem, minha amiga é uma pessoa educada e ponderada, e digamos que estas não são afinidades que nos une, sendo assim ela se desculpou e saiu da conversa, parece que isso é um código de ética no Facebook.
Quanto a mim, fiquei digerindo a questão.
Primeiro: o que é ou não apropriado ao quê.
Segundo: há que se perguntar em qual enredo técnica e politica se convergem ou se excluem, e por quê.
Terceiro: o atual gestor (sic) da cidade, grafittis não são apropriados a quase todos os lugares, afirmação essa que pessoas, como a citada, compartilham.
Questiono se compartilham da opinião, ou se compartilham da febre insana em querer apagar real e simbolicamente, tudo o que foi construído em favor da cidade, e principalmente pela inclusão de seus cidadãos, e sinceramente, questiono o por quê.
Tal qual, o amante que inseguro de seu desempenho, e sabidamente inferior ao seu antecessor, tenta em vão destruir, matar.
Lembrei de Chico Buarque
Ele era mil, tu és nenhum
Na guerra és vil, na cama és mocho
Tira as mãos de mim, põe as mãos em mim
E vê se o fogo dele guardado em mim
Te incendeia um pouco
Éramos nós, estreitos nós
Enquanto tu, és laço frouxo
Tira as mãos de mim, põe as mãos em mim
E vê se a febre dele guardada em mim
Te contagia um pouco.
Como já disse em outro post, não há tinta cinza o suficiente para apagar as cores que compõem a diversidade desta cidade, pois a cada mural apagado outro nascerá, porque são frutos das pessoas, dos artistas que se expressam em formas e em cores.
Não haverá paz na alma de quem já sabe em que estruturas se apoiam os podres poderes e o de seus asseclas.
"Qual a paz que eu não quero conservar pra tentar ser feliz?"
Tú és mocho e vil, mas a sociedade é fogo, é vida em estágio puro.
Sobre técnicas, política e ética, conversaremos depois.