Tenho lido vários artigos sobre os males da internet em nossa sociedade.
Há questões bastante interessantes sobre, por exemplo, a concentração de conteúdo, a democratização da informação, enfim...são vários os aspectos que nos remetem a reflexão.
Sob o ponto de visto do indivíduo, os aspectos discutidos tem sido, dentre outros, os da superficialidade das relações, do conhecimento e também da exacerbação da solidão.
Na minha opinião informação não produz necessariamente conhecimento, este é fruto de reflexões sobre as informações obtidas via internet ou qualquer outra mídia, sobre a literatura, artes de maneira geral, pesquisas temáticas, pelas relações sociais e viva vivida.
Inúmeros são os estudos sociológicos que tratam da superficialidade das relações e da solidão na sociedade contemporânea, além do medo, da sociopatia e psicopatia, penso que a atenção deva ser voltada a esses aspectos.
A internet em si, não produz solidão ou superficialidade, ou será que acontece somente comigo de encontrar solidão e superficialidade no ambiente de trabalho ou na mesa de bar?
Vista de outra perspectiva, a solidão não é um mal em si, ela pode ser bastante prazerosa se voltada a reflexão ou tantas outras atividades solitárias.
A leitura de um livro é um prazer solitário, entretanto nessa atividade estabeleço um diálogo com o autor e com meu mundo interno, Mil vezes Saramago, Jacobsen ou até mesmo Harry Potter, que a conversa superficial e insana de tantos que conheço, embora eu saiba que preciso deles até para poder refletir sobre isso.
Mas há momentos em que posso escolher, aí escolho me relacionar na internet por meio de “blogs” e pessoas com quem tenho alguma afinidade, basicamente sob o aspecto intelectual.
E o que dizer da música? Posso passar horas ouvindo, e me tornar toda emoção quando vejo postado no meu “facebook” ou no “Youtube”, vídeos daqueles artistas que tanto fizeram e fazem por nossa cultura, minha alegria vem de dentro e me invade, e são inúmeras as vezes em que quero compartilhar esses presentes e descobertas, e adivinha só o que tecnologia me permite?
Enfim, temos o mundo real das relações cotidianas e temos o ciberespaço, ninguém vive 24 horas “logado” , temos o trabalho, a escola, a família, os amigos.
Aliás nada substitui o afeto, o olho no olho, o riso e o abraço das pessoas que nos são importantes, e que não necessariamente compartilham cem por cento nosso ponto de vista, mas que estão conosco na vida real e nos fazem crescer pelas afinidades e sobretudo pelas diferenças.
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