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domingo, 28 de novembro de 2010

Movimentos Sociais Parte II - "Do Gueto pros Mundo"

Como dizia, tive o enorme prazer em visitar o IV Encontro Paulista de Hip Hop, ocorrido no Memorial da América Latina, no sábado – 27/11.

O objetivo do Encontro, segundo informações que obtive no site: http://www.rapnacional.com.br/ ,
foi de que

“o IV Encontro Paulista de Hip Hop não é só música. O evento promove discussões relevantes sobre a questão do hip-hop como cultura e movimento de negritude, de afirmação e política. Será inaugurada a exposição Consciência Negra em Cartaz. Uma novidade interessante é a junção entre Repentistas, Mc’s, Partideiros e Capoeiristas, em uma troca de experiência sobre a improvisação, tão presente no rap e na embolada.” e “Palestras, workshops, batalhas de Mc’s e de Breaks fazem parte do evento. E, para finalizar, as crianças também serão contempladas: Oficinas de Breaking I e II (B.Boying / BGirling), para a faixa etária de 5 a 12 anos, com Bispo SB; e a Hora do Conto II, com Maria Edithe.”

Deu pra ter uma idéia do que foi o evento?

Como o movimento Hip Hop não é algo que está no meu cotidiano, tudo o que vi foi com um olhar de visitante.

Fiquei encantada com a beleza e a alegria da juventude que lá estava, e mais: em perceber como a criação artística agrega pessoas, propicia o reconhecimento da identidade cultural, a noção de pertencimento a uma comunidade, e ainda estimula a busca do conhecimento não apenas das raízes, mas também, e tão importante quanto ao meu ver, o conhecimento do que foi produzido pela humanidade em séculos de civilização.

Por essa realização que contou com tanta gente, quero em particular cumprimentar minha grande amiga e Curadora  dp Evento Analú Silva Souza.

Fiz algumas fotos de trabalhos em graffiti realizados durante o evento, que compartilho:






Movimentos Sociais - Parte I

Ontem – 27/11, um sábado ensolarado na cidade São Paulo, tive o prazer de participar de festas de dois grandes movimentos sociais e políticos.

Acompanho a trajetória de Carlos Zarattini, o Zara, desde o início dos anos noventa quando foi candidato a vereador por São Paulo.
Para quem não o conhece, sua história política pode ser vista em seu site: http://www.zarattinipt.com.br/historia.htm, depois de vereador pelo Partido dos Trabalhadores, foi também eleito deputado estadual, e com a eleição de Marta Suplicy para Prefeitura de São Paulo, assumiu a Secretaria de Transportes do Município, sendo essa gestão responsável pela execução do projeto de Bilhete Único que muito contribuiu com os trabalhadores desta cidade.

Pois bem, neste ano de 2010, em que elegemos Dilma Rousseff Presidente do Brasil, Zarattini foi reeleito Deputado Federal com mais de 200 mil votos, ampliando assim o reconhecimento na sociedade tanto de seu trabalho político como o do Partido dos Trabalhadores.

E foram essas pessoas que tive a alegria de ver presentes na festa de comemoração, que aconteceu na quadra da escola de samba Rosas de Ouro. A festa foi linda, pena que minha máquina fotográfica, estava sem bateria. Imperdoável! Fiz algumas fotos pelo celular, e que não estou conseguindo baixar. Se ficarem razoáveis postarei no facebook.

O que quero mesmo afirmar aqui, é minha satisfação em ver e sentir que o Partido dos Trabalhadores, por todo o trabalho político realizado pela democratização de nosso país, e que por isso entrará agora em sua terceira gestão na Presidência da República, continua fiel às suas raízes nos movimentos sociais de onde nasceu.

Mais para o final do dia, tive a oportunidade de estar presente no IV Encontro Paulista de Hip Hop, ocorrido no Memorial da América Latina. Maravilhoso.

Sobre esse assunto escreverei em outra postagem, pois esta já está muito looonga.

domingo, 21 de novembro de 2010

Internet - Em Busca do Equilíbrio - Meus Amigos são um Barato

Tenho lido vários artigos sobre os males da internet em nossa sociedade.
Há questões bastante interessantes sobre, por exemplo, a concentração de conteúdo, a democratização da informação, enfim...são vários os aspectos que nos remetem a reflexão.

Sob o ponto de visto do indivíduo, os aspectos discutidos tem sido, dentre outros, os da superficialidade das relações, do conhecimento e também da exacerbação da solidão.

Na minha opinião informação não produz necessariamente conhecimento, este é fruto de reflexões sobre as informações obtidas via internet ou qualquer outra mídia, sobre a literatura, artes de maneira geral, pesquisas temáticas, pelas relações sociais e viva vivida.

Inúmeros são os estudos sociológicos que tratam da superficialidade das relações e da solidão na sociedade contemporânea, além do medo, da sociopatia e psicopatia, penso que a atenção deva ser voltada a esses aspectos.
A internet em si, não produz solidão ou superficialidade, ou será que acontece somente comigo de encontrar solidão e superficialidade no ambiente de trabalho ou na mesa de bar?

Vista de outra perspectiva, a solidão não é um mal em si, ela pode ser bastante prazerosa se voltada a reflexão ou tantas outras atividades solitárias.
A leitura de um livro é um prazer solitário, entretanto nessa atividade estabeleço um diálogo com o autor e com meu mundo interno, Mil vezes Saramago, Jacobsen ou até mesmo Harry Potter, que a conversa superficial e insana de tantos que conheço, embora eu saiba que preciso deles até para poder refletir sobre isso.
Mas há momentos em que posso escolher, aí escolho me relacionar na internet por meio de “blogs” e pessoas com quem tenho alguma afinidade, basicamente sob o aspecto intelectual.

E o que dizer da música? Posso passar horas ouvindo, e me tornar toda emoção quando vejo postado no meu “facebook” ou no “Youtube”, vídeos daqueles artistas que tanto fizeram e fazem por nossa cultura, minha alegria vem de dentro e me invade, e são inúmeras as vezes em que quero compartilhar esses presentes e descobertas, e adivinha só o que tecnologia me permite?

Enfim, temos o mundo real das relações cotidianas e temos o ciberespaço, ninguém vive 24 horas “logado” , temos o trabalho, a escola, a família, os amigos.

Aliás nada substitui o afeto, o olho no olho, o riso e o abraço das pessoas que nos são importantes, e que não necessariamente compartilham cem por cento nosso ponto de vista, mas que estão conosco na vida real e nos fazem crescer pelas afinidades e sobretudo pelas diferenças.



Nara Leão e Erasmo Carlos - "Meu ego" (1977)

sábado, 20 de novembro de 2010

Dia da Consciencia Negra 2009

Dia Da Consciência Negra

Na terra do Patropi, linda e maravilhosa, ainda convivemos com xenofobia, homofobia e o racismo.
Mas também com, não digo esperança pois ela está associada com o "esperar", mas sim lutas e conquistas construídas diariamente.
Hoje tomo por empréstimo o trabalho de várias pessoas.

Racismo É Burrice

Gabriel O Pensador

Composição: Gabriel O Pensador
Salve, meus irmãos africanos e lusitanos, do outro lado do oceano
"O Atlântico é pequeno pra nos separar, porque o sangue é mais forte que a água do mar"
Racismo, preconceito e discriminação em geral;
É uma burrice coletiva sem explicação
Afinal, que justificativa você me dá para um povo que precisa de união
Mas demonstra claramente
Infelizmente
Preconceitos mil
De naturezas diferentes
Mostrando que essa gente
Essa gente do Brasil é muito burra
E não enxerga um palmo à sua frente
Porque se fosse inteligente esse povo já teria agido de forma mais consciente
Eliminando da mente todo o preconceito
E não agindo com a burrice estampada no peito
A "elite" que devia dar um bom exemplo
É a primeira a demonstrar esse tipo de sentimento
Num complexo de superioridade infantil
Ou justificando um sistema de relação servil
E o povão vai como um bundão na onda do racismo e da discriminação
Não tem a união e não vê a solução da questão
Que por incrível que pareça está em nossas mãos
Só precisamos de uma reformulação geral
Uma espécie de lavagem cerebral
Racismo é burrice
Não seja um imbecil
Não seja um ignorante
Não se importe com a origem ou a cor do seu semelhante
O quê que importa se ele é nordestino e você não?
O quê que importa se ele é preto e você é branco
Aliás, branco no Brasil é difícil, porque no Brasil somos todos mestiços
Se você discorda, então olhe para trás
Olhe a nossa história
Os nossos ancestrais
O Brasil colonial não era igual a Portugal
A raiz do meu país era multirracial
Tinha índio, branco, amarelo, preto
Nascemos da mistura, então por que o preconceito?
Barrigas cresceram
O tempo passou
Nasceram os brasileiros, cada um com a sua cor
Uns com a pele clara, outros mais escura
Mas todos viemos da mesma mistura
Então presta atenção nessa sua babaquice
Pois como eu já disse racismo é burrice
Dê a ignorância um ponto final:
Faça uma lavagem cerebral
Racismo é burrice
Negro e nordestino constróem seu chão
Trabalhador da construção civil conhecido como peão
No Brasil, o mesmo negro que constrói o seu apartamento ou o que lava o chão de uma delegacia
É revistado e humilhado por um guarda nojento
Que ainda recebe o salário e o pão de cada dia graças ao negro, ao nordestino e a todos nós
Pagamos homens que pensam que ser humilhado não dói
O preconceito é uma coisa sem sentido
Tire a burrice do peito e me dê ouvidos
Me responda se você discriminaria
O Juiz Lalau ou o PC Farias
Não, você não faria isso não
Você aprendeu que preto é ladrão
Muitos negros roubam, mas muitos são roubados
E cuidado com esse branco aí parado do seu lado
Porque se ele passa fome
Sabe como é:
Ele rouba e mata um homem
Seja você ou seja o Pelé
Você e o Pelé morreriam igual
Então que morra o preconceito e viva a união racial
Quero ver essa música você aprender e fazer
A lavagem cerebral
Racismo é burrice
O racismo é burrice mas o mais burro não é o racista
É o que pensa que o racismo não existe
O pior cego é o que não quer ver
E o racismo está dentro de você
Porque o racista na verdade é um tremendo babaca
Que assimila os preconceitos porque tem cabeça fraca
E desde sempre não pára pra pensar
Nos conceitos que a sociedade insiste em lhe ensinar
E de pai pra filho o racismo passa
Em forma de piadas que teriam bem mais graça
Se não fossem o retrato da nossa ignorância
Transmitindo a discriminação desde a infância
E o que as crianças aprendem brincando
É nada mais nada menos do que a estupidez se propagando
Nenhum tipo de racismo - eu digo nenhum tipo de racismo - se justifica
Ninguém explica
Precisamos da lavagem cerebral pra acabar com esse lixo que é uma herança cultural
Todo mundo que é racista não sabe a razão
Então eu digo meu irmão
Seja do povão ou da "elite"
Não participe
Pois como eu já disse racismo é burrice
Como eu já disse racismo é burrice
Racismo é burrice
E se você é mais um burro, não me leve a mal
É hora de fazer uma lavagem cerebral
Mas isso é compromisso seu
Eu nem vou me meter
Quem vai lavar a sua mente não sou eu
É você.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Cinema: "José & Pilar"

“José e Pilar”.

Entrei na sessão de cinema sem muita expectativa, esperava assistir a um documentário feito para retratar e eternizar a vida cotidiana do casal José Saramago e Pilar del Rio, e propiciar a nós, que cultuamos nossos ídolos e somos um tanto afeitos a lhes invadir a privacidade, momentos de certa intimidade.

Adorável engano!

Por maior que seja meu desejo, como posso aqui ousar falar desse trabalho?

Posso tão somente dizer das minhas emoções, e dos sentimentos por elas movidos.
Não que isso interesse a alguém, mas tão somente porque gostaria que as pessoas de quem gosto também assistam ao filme e, como eu, saiam do cinema com os olhos embaçados e a sentir a vida correr nas veias.

A inteligência dos protagonistas, a sensibilidade do diretor ao retratar a grandiosidade de uma vida, faz desembotar nosso cérebro da mediocridade em que muitas vezes nos vemos capturados.
É também sob esse ponto de vista revigorante.

Falar de Saramago e Pilar, comentar sobre esse documentário de Miguel Gonçalves Mendes, me deixa tal qual os estudantes que se encontram com o escritor a fim de obter uma entrevista: com expressão de deslumbramento e sem saber ao certo o que dizer.

As palavras de Saramago vicejam como literatura na tela, a cada imagem o desabrochar de uma poesia.
Pilar Del Rio jornalista e companheira incansável, é como um Carvalho na vida do escritor, linda, e vigorosa.

O romance entre Saramago e Pilar parece ter saído de um conto, uma ficção.
Um amor para toda, e além da vida. Por mais ateu que fosse Saramago.

Impossível não segurar a mão de seu amor ao lado e recostar a cabeça em seu ombro, improvável não sair do cinema de mãos dadas “como há muito não se usava dar”.

“José e Pilar” foi feito de vida, a ela construiu uma homenagem, e como ela é nstigante comovente  comovente.

http://www.youtube.com/watch?v=X0tNzq6PXyA






sábado, 13 de novembro de 2010

A tecnologia como ferramental ao desenvolvimento humano

Durante o período eleitoral visitas a diversos “blogs” tais como Azenha, Nassif, Carta, Brizola Neto, Rodrigo Vianna, me foram bastante úteis e prazerosas, com eles partilhei pensamentos, angústias e sobretudo obtive notícias decentes sobre o que acontecia, posto que o PIG é o PIG.
Fiz algumas descobertas, como por exemplo as capacidades do facebook em possibilitar a comunicação com pessoas em várias partes do mundo e em tempo real.
Curti bastante essa facilidade.
Entendi que as redes sociais, o conteúdo depositado na internet, assim como a tecnologia de modo geral, podem servir a banalidades, atrocidades ou ampliar o universo das pessoas.
Como acontece com a literatura, música, cinema, as artes em geral, as formas diversas de expressão possibilitam o diálogo com o mundo externo, e sobretudo com o nosso mundo interior: nossas verdades cristalizadas, valores, sentimentos, ideologias.
E esse movimento sensitivo e reflexivo nos devolve, reciclados por assim dizer, à vida em sociedade, às relações que travamos e àquilo que produzimos para comunidade.
Ainda outra dia, no YouTube, ouvia o Prof. Mario Sergio Cortella dizer que quem fica velho são móveis, os objetos enfim, mas com o homem é diferente pois nascemos seres inacabados e nos desenvolvemos no decorrer da vida. Achei esse pensamento sensacional.
Evidentemente esse desenvolvimento seria impossível se vivêssemos tal qual Kaspar Hauser .
Por isso tenho para mim que no estágio da civilização em que vivemos, é impossível continuar nosso desenvolvimento sem o uso da internet, aliás desejo que tenha sucesso o projeto do governo federal de beneficiar todos os cidadãos brasileiros com o acesso à banda larga, e assim vermos ampliadas as possibilidades de interação com outras culturas e divulgação de nossa cultura tão rica e diversa.
Entretanto, em movimento inverso, pude ouvir um comentário de uma pessoa dentro do metrô, que “animadamente” dizia à sua amiga que a empresa na qual trabalha limitou o uso da internet durante o horário de trabalho, segundo ela, a estavam usando para navegação em “sites” que não tinham relação direta com as atividades produtivas da empresa, e isso causou problemas na administração para manter a disponibilidade. Por essa razão, agora poderiam apenas acessar “sites” definidos pela empresa como úteis e necessários ao seu ramo de atividade.
Elas continuaram conversando, e eu entrei em devaneio. Que lugares será que essas pessoas estavam visitando? Seriam jogos, bate-papo, pornografia? Qual seria a atividade fim dessa empresa? Vi em meus devaneios uma série de pessoas, como em uma linha de produção, acessando ininterruptamente seu computador, com expressões tresloucadas, e pensei: será que essa empresa estaria obtendo os resultados esperados de seus colaboradores?
Continuei minha viagem, e concluí que as pessoas de decisão da tal empresa talvez estivessem agindo como alguns medicamentos, quer dizer atuando sobre o sintoma e não na causa do distúrbio.
Em meu trabalho diário, faço malabarismos com o tempo para manter a concentração necessária e entregar os resultados com qualidade e nos prazos que me são requeridos. Muito raramente, consigo tempo para visitar meus queridos “blogs” faço isso de casa, quando posso.
Acontece porém ocasiões de o pensamento empacar, aí não adianta, me dou esse tempo. Vou à internet navego em “sites” que nada tem a ver com o que estou fazendo, é como dizem “tiro a cara do prato” para poder ver a situação de outra perspectiva e aí então retornar.
Inúmeras são as vezes em que num desses passeios, encontro a palavra adequada, perfeita àquilo que estou escrevendo e que parecia não conseguir dar expressão.
A viagem prosseguia e lembrei de artigos sobre o fato de governantes de algumas nações ditatoriais limitarem a seus cidadãos o acesso à internet a apenas aos”sites” permitidos. Pensei também na disciplina austera de antigos colégios internos.
Voltei ao Kaspar Hauser e me entristeci, pensei numa sociedade de robôs e me indignei.
Depois de ser trazida à realidade por um aviso de que o trem havia parado por questões técnicas, a campainha do trem tocou, havia chegado a minha estação, e entre corpos e braços que me enlaçavam consegui descer...e pensei na lógica da tal empresa: se houvesse menos pessoas nos trens talvez tivesse menos questões técnicas. Se fôssem essas pessoas a administrar o metrô, certamente aplicariam um questionário aos passageiros, de modo a permitir a viagem de trem apenas a trabalho.