Durante o período eleitoral visitas a diversos “blogs” tais como Azenha, Nassif, Carta, Brizola Neto, Rodrigo Vianna, me foram bastante úteis e prazerosas, com eles partilhei pensamentos, angústias e sobretudo obtive notícias decentes sobre o que acontecia, posto que o PIG é o PIG.
Fiz algumas descobertas, como por exemplo as capacidades do facebook em possibilitar a comunicação com pessoas em várias partes do mundo e em tempo real.
Curti bastante essa facilidade.
Entendi que as redes sociais, o conteúdo depositado na internet, assim como a tecnologia de modo geral, podem servir a banalidades, atrocidades ou ampliar o universo das pessoas.
Como acontece com a literatura, música, cinema, as artes em geral, as formas diversas de expressão possibilitam o diálogo com o mundo externo, e sobretudo com o nosso mundo interior: nossas verdades cristalizadas, valores, sentimentos, ideologias.
E esse movimento sensitivo e reflexivo nos devolve, reciclados por assim dizer, à vida em sociedade, às relações que travamos e àquilo que produzimos para comunidade.
Ainda outra dia, no YouTube, ouvia o Prof. Mario Sergio Cortella dizer que quem fica velho são móveis, os objetos enfim, mas com o homem é diferente pois nascemos seres inacabados e nos desenvolvemos no decorrer da vida. Achei esse pensamento sensacional.
Evidentemente esse desenvolvimento seria impossível se vivêssemos tal qual Kaspar Hauser .
Por isso tenho para mim que no estágio da civilização em que vivemos, é impossível continuar nosso desenvolvimento sem o uso da internet, aliás desejo que tenha sucesso o projeto do governo federal de beneficiar todos os cidadãos brasileiros com o acesso à banda larga, e assim vermos ampliadas as possibilidades de interação com outras culturas e divulgação de nossa cultura tão rica e diversa.
Entretanto, em movimento inverso, pude ouvir um comentário de uma pessoa dentro do metrô, que “animadamente” dizia à sua amiga que a empresa na qual trabalha limitou o uso da internet durante o horário de trabalho, segundo ela, a estavam usando para navegação em “sites” que não tinham relação direta com as atividades produtivas da empresa, e isso causou problemas na administração para manter a disponibilidade. Por essa razão, agora poderiam apenas acessar “sites” definidos pela empresa como úteis e necessários ao seu ramo de atividade.
Elas continuaram conversando, e eu entrei em devaneio. Que lugares será que essas pessoas estavam visitando? Seriam jogos, bate-papo, pornografia? Qual seria a atividade fim dessa empresa? Vi em meus devaneios uma série de pessoas, como em uma linha de produção, acessando ininterruptamente seu computador, com expressões tresloucadas, e pensei: será que essa empresa estaria obtendo os resultados esperados de seus colaboradores?
Continuei minha viagem, e concluí que as pessoas de decisão da tal empresa talvez estivessem agindo como alguns medicamentos, quer dizer atuando sobre o sintoma e não na causa do distúrbio.
Em meu trabalho diário, faço malabarismos com o tempo para manter a concentração necessária e entregar os resultados com qualidade e nos prazos que me são requeridos. Muito raramente, consigo tempo para visitar meus queridos “blogs” faço isso de casa, quando posso.
Acontece porém ocasiões de o pensamento empacar, aí não adianta, me dou esse tempo. Vou à internet navego em “sites” que nada tem a ver com o que estou fazendo, é como dizem “tiro a cara do prato” para poder ver a situação de outra perspectiva e aí então retornar.
Inúmeras são as vezes em que num desses passeios, encontro a palavra adequada, perfeita àquilo que estou escrevendo e que parecia não conseguir dar expressão.
A viagem prosseguia e lembrei de artigos sobre o fato de governantes de algumas nações ditatoriais limitarem a seus cidadãos o acesso à internet a apenas aos”sites” permitidos. Pensei também na disciplina austera de antigos colégios internos.
Voltei ao Kaspar Hauser e me entristeci, pensei numa sociedade de robôs e me indignei.
Depois de ser trazida à realidade por um aviso de que o trem havia parado por questões técnicas, a campainha do trem tocou, havia chegado a minha estação, e entre corpos e braços que me enlaçavam consegui descer...e pensei na lógica da tal empresa: se houvesse menos pessoas nos trens talvez tivesse menos questões técnicas. Se fôssem essas pessoas a administrar o metrô, certamente aplicariam um questionário aos passageiros, de modo a permitir a viagem de trem apenas a trabalho.